
Vou falar de amor, mas de amor que me interessa. Talvez não tenho amor por aquilo que desconheço. Amor é muito mais para ser sentido do que explicado e hoje não é um dia típico para falar dele. Percebemos o quanto estamos sozinhos e o quanto caímos todas as vezes que o amor existe, há mais medo do que amor! Medo de perder o abraço, medo de perder o aperto, a esperança, o afago, a particularidade e o beijo de asfalto de Nelson Rodrigues. Percebemos também o quanto somos feios em relação ao amor – mentimos, desejamos o outro, esquecemos e pecamos.
Em minha veias, amor não corre não, corre lama e podridão. Era mais fácil contentar-se com alguns momentos de caridade, você não se apega, não se sente vulnerável e corre quilômetros mesmo que não tenha um destino certo. Dizem que amor proporciona bem mais que isto, se não senti ainda, como vou dizer?
Quero acima de tudo uma pessoa, uma mente, uma idéia. O homem que não pensa com as duas cabeças e que sabe afagar minha dor, mesmo que profunda, um homem da minha condição. E foda-se o romantismo barato de conquistadores moderninhos e incapazes, talvez não existirá alguém que satisfaça meus desejos. Estou incerto de mim mesmo. Vejo-me, coisas banais do coração nunca me preocuparam, mas insisto no amor – mesmo dolorido, continuarei encarando até esfolar-me e sangrar cada pedaço de mim, mesmo que não saiba o destino certo.
Para ouvir: Love It All – The Kooks
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Tags: amor, carência, sentimentalismo
espero que aqui você goste tanto quanto lá