Travessia
3:32 da manhã. Faltam exatamente 40 minutos para deixar um pouco deste lado e viver o outro. Assim mesmo, exijo de mim uma proteção na mala: jaqueta, escova de dente e protetor solar. Hoje é daqueles dias duvidosos, mas o que mantém é o segredo de experimentá-lo e saber sentir as outras coisas que deixamos para trás quando vamos embora. Obrigado mãe, obrigado pai pela mudança brusca dos teus atos. Vou-me ausentar e fechar um pouco esta janela. O sereno é calmo, levo lembranças na mala e Björk no ouvido – eu sempre me lembro que Vespertine é o albúm mais reflexivo. Na volta, trarei histórias e um pouco de minha mudança. Repartirei em partes com as pessoas que quero bem, pensarei naquelas que me deixam saudades – estas, lindas, eu nunca esquecerei.
Sinto prazer em dizer que tudo isso é melodia que ecoará janela afora quando abri-la novamente.
Texto livre de métricas, apenas palavras leves.
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Tags: travessia, viagem
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Meditação III
O efêmero. Ora, um pássaro no vale
Cantou por um momento, outrora, mas
O vale escuta ainda envolto em paz
Para que a voz do pássaro não cale.
E uma fonte futura, hoje primária
No seio da montanha, irromperá
Fatal, da pedra ardente, e levará
À voz a melodia necessária.
O efêmero. E mais tarde, quando antigas
Se fizerem as flores, e as cantigas
A uma nova emoção morrerem, cedo
Quem conhecer o vale e o seu segredo
Nem sequer pensará na fonte, a sós…
Porém o vale há de escutar a voz.
[Vinícius de Morais]
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