Arquivo de abril, 2008

Sou capaz de mudar, mudaria quantas vezes mais possíveis. É sempre dessa forma quando sofremos por algo, mudamos e com a nossa mudança tudo se transforma. O que mais me importo agora é saber dosar essa mudança e não me perder em outros caminhos. Não desejo pessoas, por mais que minha carência atinja um nível alto, eu não sinto vontade de expulsar minha dor nos braços de outrem.

Até que esteja bem. Até que eu sinta falta do corpo e deseja saciar-me no teu sexo. Até que seja bom o bastante e até que meus braços estejam livres para aceitar outros braços.

Eu não sinto falta do meu antes.

O que é amor para mim? Não temer o outro, seja lá no que for, contar com o outro. A mágoa é possível, mas não deixar que a mágoa se transforme em amargura e rancor. Ainda sou assustada com as pessoas com as quais me relacionei: aquela cultura machista. É claro que existem as exceções e as exceções são bárbaras. (…) Os ritmos estão muito hedonistas, falta paciência. As pessoas terminam os relacionamentos porque querem grandes excitações. Traição é uma droga. E não pela traição. O ser humano não quer dividir seu amor. O amor requer paciência e um tempo filosófico para você se questionar. Não é o caminho do maior peito, de plástica ou então ficar trocando de paixão pelo resto da vida. Se você quer que ele dure tem que perdoar sempre.

Fernanda Young

Tenho escutado Tori Amos há dias. Percebi dentre as músicas que escuto que há uma carga de energia muito positiva e às vezes negativas. É interessante ressaltar o meu amor e admiração pela cantora, mas nunca foi tão expressivo como têm sido nas últimas duas semanas. Não acho que Björk seja tão simpática quanto Amos e não creio que ser filho da Björk seja “mó legal”. Não há uma trilha sonora tão mais cabível nos meus sonhos do que Bouncing Off Clouds e tomar banho ao som de Blood Roses.

Ela deve ser super simpática, adorável e deve se comunicar muito bem com as pessoas que estão ao seu redor. Sem dúvida alguma é uma das cantoras mais bem recomendadas. Deveria ganhar prêmios e deveria mesmo ocupar o lugar de ícones chicletes em Grammy’s como Britney Spears e companhia limitada.

Tori Amos me entenderia: choro ouvindo I Can’t See New York e lembro de momentos bonitos com A Sorta Fairytale. Parasol é um hino à minha felicidade e Taxi Ride, sem dúvidas, deveria ser ouvida ao lado de amigos. Spark é sexy e ao mesmo tempo sombria e me masturbo ouvindo Pretty Good Year. Seria loucura? Se for loucura, que venha acompanhada de uma trilha sonora comé Scarlet’s Walk e que venha cheias de prazeres como em American Doll Posse.

Para ouvir: Playboy Mommy – Tori Amos

Novos amigos

Na boa, sem frescura, sonhei com pandas essa noite! Eles falam e bebem água. Se depender até puxam um fumo contigo, gente boa pacas, adoro conversar com pandas.

Stand inside

Joguei meu orgulho pela janela e minhas forças na lixeira. Brinquei com meus medos de lançar-se no abismo e estamos apostando quem voltará de lá para contar como é os 15 segundos antes da morte.

Agora eu espero.

Paparazzo

Saudosíssima irmandade dentária de Gabriel Cadete em um dia de festa no msn, contando vantagem de seus dentes justapostos e bem ordenados. Jesus te ama querido e eu também. Amém!

Lendo um texto, parei e analisei cá com meus botões cinzas. Algo tão fraterno e verdadeiro que alguém pode sentir por outra pessoa é a saudade. Lembrei de coisas e pessoas que não fazem mais parte do meu convívio e cheguei a conclusão que sentir-se nostálgico é uma comprovação de amor, que estamos vivos e acima de tudo, existimos. Engraçado mesmo, porque afinal, há coisas que não voltam nunca – podem até voltar, como foi a tentativa das Spice Girls. Elas sabiam que nós, fãs histéricos pelo fenômeno pop, nos sentiriamos abraçados cantarolando canções antigas. O que não vingou é a tentativa de uma inovação, porque afinal, as pessoas mudam e tendem a esquecer fórmulas mágicas de carinho.

Lembrei-me de Tears for Fears, Renato Russo e a rebelião punk de 80. Cazuza, clássicos de Queen e Whitney Houston. Xuxa Park, Chaves e Chapolin Colorado. O pirulito das próprias Spice Girls com figurinhas de fotos medonhas do quinteto. A explosão axé e É o Tchan. Loiras dançarinas apresentadoras de programas infantis e da primeira a quinta série do ensino fundamental. Lembro-me da primeira menina em que me apaixonei, nome engraçado e parece mentira, mas não é: Juliana Carrega Leite. Os inúmeros amigos de escola, nessa fase pensamos em viver um conto a lá Chiquititas onde não há tanta maldade assim e ainda ganhamos albúm de figurinhas para colecionar e fitas cassete de músicas das vinhetas da novela. Tudo isso e mais um pouco, tudo isso não volta. Não desejo que volte, mas é engraçado como sentimos falta de momentos como aqueles e por mais que não assumimos, confessamos que foi um tempo saudoso. Não seria lembrado com tanto zelo se não fizesse diferença, o que importa mesmo é sentir-se nostálgico. Estou acima de tudo com saudade, com o coração em chamas de nostalgia por pessoas e por abraços. Não peço que lancem novamente aquele disco maravilhoso de Alanis Morissette, não peço que venha mais deste da mesma forma e com a mesma pose raivosa. Peço que seja bom para ser lembrado, que faça a diferença enquanto pode. Afinal, o que seria dos clássicos se não existisse a saudade?

Aceito doações de abraços nostálgicos.

Para ouvir: The Big Layoff – Velveteen

Toda banda que se preze, precisa mostrar trabalho em palco. Tratando-se de Beth Ditto, esperamos bem mais que isto. Um ícone do cenário trash, Beth já mostrou que não é apenas uma voz bonita e que encara até mesmo clássicos de divas.  O mais recente do Gossip é o Live In Liverpool, onde marca como terceiro albúm da banda (não de músicas inéditas) e um DVD do mesmo show. Não parece, mas a banda já tem 10 anos de formação e depois de estourar com “Standing In The Way Of Control”, descobrem que é no palco que os quilos de Ditto se transformam em peso sonoro.

Beth Ditto, uma espécie de sex symbol da obesidade, destaca-se não só pela voz, a música em si fica em segundo plano. O show marca canções dos três últimos albúns da banda e o destaque do show (além do momento esperado de Standing In The Way…) é Careless Whisper, do Wham.

O aúdio já vazou na internet e eu, como um bom amante de música e Gossip, tratei de pegar o arquivo zipado, enquanto o CD/DVD ainda não chega por aqui. Vale uma baixaria ótima nesse show.

Tem sido minhas canções de ninar pós três horas da manhã, acompanhado de uma xícara de café e dores de estômago constantes. Um albúm digno de saudade, estou amolecendo meu coração para bandas british rock.

Pela noite

“Entre dois homens, amor é igual a sexo que é igual a cu que é igual a merda. Sabe que não agüento merda? Eu vejo um cara e gosto e tal e me aproximo e rola umas, sempre rola umas, porque eu canto bem, eu sei cantar, veja que vaidade, e daí eu penso Deus, daqui a pouco a gente vai pra cama e chupa daqui, chupa dali, baba, roça, morde, e no fim inevitável tem o cu e a merda no meio. Você acaba sempre dando a bunda ou comendo a bunda do outro. Se você dá, ainda não é nada. Tem a dor, a puta dor. Caralho dói pra caralho. Tem uns jeitos, uns cuspes, uns cremes. Mas é nojento pensar que o pau do outro vai sair dali cheio da sua merda. Mesmo nos casos mais dignos, você consegue imaginar Verlaine comendo Rimbaud? E se você come o outro, tem a merda do cara grudada no teu pau. Mesmo no escuro, você sente. (…) Tem amor que resista? (…) Amor entre homens tem sempre cheiro de merda. (…) Por isso, eu não agüento. (…) Eu não consigo aceitar que amor seja sinônimo de cu, de cheiro de merda. (…) Ter cu é insuportável, é degradante você se resumir a um tubo que engole e desengole coisas. Eu não vou aceitar nunca que o ser humano tenha cu e cague. (…) E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo. No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. (…) Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você pode até gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda”.

Caio Fernando Abreu