Arquivo para junho, 2008

Na primeira vez eu fiquei assustado. Receio alguma invasão paranormal ou alguma lavagem cerebral que me impossibilitasse a locomoção. No entando foi um alarme falso ao ver que são inofensivos e nada podem fazer ao meu coração. Digo: exterminem os corações ruins, acredite somente nos fatos, absorva somente o que será proveitoso e morte ao ego com toda fúria do mundo. Andei por vários caminhos, talvez não todos, mas aqueles que percorri foram necessários para adquirir um alicerce forte, amplo e horizontal. O conceito de estranho é desconhecido e extraordinário, agradeço ao imensurável adjetivo adotado durante todo o trajeto. Obrigado.

Talvez seja desta forma com que o mundo se mostra para mim, diferente da sua concepção primária, eu não faço questão de ser igual. Obrigado por acreditar somente na visão que você acredita, isto diminui um pouco a visão triste que tenho a respeito sobre tuas idéias. Ok, está na hora de morfar.

do Lat.  *detestare ou detestari

Roberto Carlos, o que acha? É um nome bonito, me lembra aquele cantor que, o que? Não, eu não tenho discos antigos guardados em minha coleção de clássicos. Costumo escutar Sinatra aos domingos, Piaf nas segundas e terças e veja, que tal inserir Miles Davis nas quartas e quintas? Não é antigo, é… agora está tocando silêncio, ouça. Ouviu? Isso me dá uma saudade. Uma não! duas, três ou até todas elas juntas cantando em coral para mim: “saudade, saudade, saudade!”. Sentou na poltrona cantarolando alguma canção de Elis, fumando e gesticulando algo que não ouvi bem. Dizia alguma coisa com toda a atenção do universo. “E tudo é hipocrisia, bababá, nós somos um bando de gente estranha”. Minha voz tão rouca balbuciava talvez um sim em concordância, mas eu só escutava o silêncio. Ela continou e levantou-se fazendo pose de Joana (uma louca sapatona), que o mundo é totalmente injusto, criando intervenções similares à Fernanda. Quanto a mim, rapaz sagaz e beirando a porralouca, une os desejos do passado em que despia aquele corpo frágil. Pensava, através da sua mente suja, um desejo de saciar-me em alma, era um desejo tardio devido ao tempo de conhecimento que tínhamos. Certa vez ela me disse, você tem olhos bonitos e vivos e eu tenho sentido falta do seu lirismo e da sua companhia, venha! vamos ler alguma coisa e depois você me conta como vai a sua família. Era idêntico e tudo soava tão fraterno. Tentamos uma, duas ou até cinco vezes. Foi tempo demais junto, você concordou com todas as palavras e sua vulgaridade nunca foi tão avalassadora. Também correu tempo demais até você descobrir que preferia lamber peitinhos, eis que os mesmos não ficaram duros, nem o pênis. Hoje você volta e acha lindo os velhos discos que ouvíamos e diz Os Clássicos Atuais, veja só. Põe Angela, senta, acende um cigarro barato. Chore e diga que tem medo de ficar sozinha, eu balbucio em concordância – levante, gesticule com a pose do Madame Satã erradiando poder novamente e senta: eu digo que tenho medo de sentir saudade, mas que antes disto vem a solidão e bababá. Certa vez, um dia qualquer, vou rir novamente e dizer que nesta vida só precisamos de creme dental, um disco de Elis e a sua companhia.

Inspiração em Os Sobreviventes, de Caio Fernando Abreu – para ler ao som de Angela Ro-Ro, Elis Regina e uma dor de cotovelo qualquer.

Travessia

3:32 da manhã. Faltam exatamente 40 minutos para deixar um pouco deste lado e viver o outro. Assim mesmo, exijo de mim uma proteção na mala: jaqueta, escova de dente e protetor solar. Hoje é daqueles dias duvidosos, mas o que mantém é o segredo de experimentá-lo e saber sentir as outras coisas que deixamos para trás quando vamos embora. Obrigado mãe, obrigado pai pela mudança brusca dos teus atos. Vou-me ausentar e fechar um pouco esta janela. O sereno é calmo, levo lembranças na mala e Björk no ouvido – eu sempre me lembro que Vespertine é o albúm mais reflexivo. Na volta, trarei histórias e um pouco de minha mudança. Repartirei em partes com as pessoas que quero bem, pensarei naquelas que me deixam saudades – estas, lindas, eu nunca esquecerei.

Sinto prazer em dizer que tudo isso é melodia que ecoará janela afora quando abri-la novamente.

Texto livre de métricas, apenas palavras leves.

Semiótica musical

Uma das coisas em que me orgulho muito é meu gosto musical. Tá ok, eu não possuo o gosto mais diversificado do mundo, não ostento uma playlist digna de clássicos e o escambau. Nos meus 15/16 anos, eu acreditava que toda pessoa de bom gosto pendesse para formar uma banda que seja – e acredito nisto até hoje. Se não acreditasse também, o que seriam das boys-band e do NX Zero?

Agora me sinto introspectivo e para contemplar esse momento, divido meu ouvido com vozes na cozinha e Cat Power no winamp. Concordo com pérolas de que Ian Curtis é gênio e Nirvana só é bom com Kurt Cobain. Nesta última eu reflito: há formações que simbolizam apenas uma pessoa e os demais são… meros coadjuvantes que só mostram a cara no ao vivo, no albúm físico e raramente nas entrevistas da Mtv. Quer um exemplo?

Montage não é a banda mais sensacional do mundo. A genialidade das fotos de Daniel Peixoto não faz das letras da dupla a banda mais reflexiva do século XXI. Ora bolas, dupla? Sim, Leco Jucá divide o palco fazendo praticamente a programação inteira do som. O que percebo é que a beleza de Daniel fica nisto mesmo – hoje em dia há mais batida do que letra e isto gera uma cultura inútil em MTV’s e Multishow da vida. Ok, há quem goste – eu gosto, é um som alegre – mas não deveríamos ficar na imagem imagem imagem e pouca arte.

Dominam nas pistas somente as músicas para uma cultura acelerada, criam-se rótulos e alguns chegam a ofender as pessoas mais sensíveis. É uma babaquice sem fim criada através da internet, seja cool então e modernize o seu last.fm, pessoa barroca.

Enquanto isso termino meu sentimento introspectivo com Metal Heart, depois a playlist pula para Crystal Castles e eu começo a trabalhar frenético.

Beijos, dica a fica.

Andando e contemplando lugares onde só nós dois poderíamos chegar, tua face beira a perfeição e o teu humor queima feito ácido. Perdidos em um tempo onde só tocaria retrô, gente bonita e cigarros até meia-noite: queira-me bem ou mal, você prefere a loucura. Caixa de entrada: Anna, Anna, Anna. Até que meus desejos continuem vitálicos, desejarei pelo teu espaço (pensar, agir, falar) e até lá, danço New Dawn Fades maliciosamente à sua procura.

Um te amo.