Arquivo para julho, 2008

O orgasmo é a comunicação mais perfeita dos corpos. Dia 31 de julho é comemorado (merecidamente) os três segundos que unem duas pessoas ao ponto máximo da relação. Três segundos que mudam nossa vida, casam pessoas, distribui passatempo e gastam horas e dinheiro em relacionamentos. Na verdade, têm sido a válvula de escape para dias rotineiros e desgaste psicológico, ou seja, é um meio de liberar a tensão acumulada nos diferentes pontos do corpo (declínio de tensão). Talvez seja uma das formas mais bonitas do amor quando bem feito.

Sabemos muito pouco sobre o orgasmo. Os franceses referem-se como “petit mort”, ou seja “pequena morte”. Talvez tudo se resuma dessa forma, morremos três segundos de nossa vida para esquecer o quão a gastamos à toa.

Epígrafo IV

(autor desconhecido)

Can you see anything?

Todos os dias no caminho para o trabalho, dobro a esquina e sinto-me bloqueado. É psicológico, acho. O que é dobrar uma esquina e tudo mudar na sua cabeça? Problemas, desejos, posição, saudade, infelicidade ou o trânsito que fecha no vermelho? Sinto isto há um mês e alguns dias. Chegou a doer essa mudança, parece que ao dobrar a esquina, estou dobrando comigo mesmo. Talvez se eu dobrar o meu corpo em posição devota, possa aceitar também as novas condições que tentam se aproximar. Não sei se eu gosto ou se posso. Tenho vontade de não sair de casa e nunca mais dobrar aquela esquina. Posso utilizar outro trajeto até a chegada ao trabalho, mas ao invés de sentir-me bloqueado, chegarei atrasado e triste. Estou confuso quanto às minhas escolhas e decisões atuais, mas ninguém parece se importar com isso.

mais em Danilo Kato.

No desenho – eu, Anna Paula e Danilo Kato.

É costumeiro formar uma personalidade a partir dos 15 anos em diante. Há pessoas que já nascem com uma, há outras que oscilam entre várias possíveis e tem aquelas que possuem multíplas. Me classifico em uma das letras de Renato Russo e não tenho vergonha de expôr isso adiante. Gosto de açúcar, mas opto pelo sal na maioria das vezes. Ando em círculos, mas posso mudar de rumo quando bem quiser. Sinto-me triste, mas eu não compartilho meus problemas com qualquer pessoa. Gosto de sexo macio, pessoas folgosas, brancas ou negras e inteligentes, por favor. Estou lendo José Saramago há um mês, apesar da história fantástica, preciso dividí-la com minha realidade e meu tempo. Ganho presentes de pessoas queridas, guardo-os com carinho – mas preciso devolver alguns. Relações mal sucedidas? Ora, quem não as tem hoje em dia? Costumo reciclar meu lixo juntamente com aquilo que não sinto mais. Precisamos de dinheiro e eu preciso aprender a controlar os meus gastos (gosto muito de DVDs, CDs e livros). Abraço pessoas, mas a intensidade do abraço varia de acordo com o meu amor. Às vezes sou romântico e construo castelos imaginários para nos abrigarmos. Outras vezes sou promíscuo, vadio e beiro à chantagem para conseguir que meus desejos sejam saciados. Tenho sede constante de prazer e funciono bem em qualquer marcha e direção. Agradeço hoje, pelos ensinamentos nas aulas de teatro, onde aprendi que sexo pode ser feito como acharmos e que seja gostoso. Sou guloso e aceito ser dominado, mas gosto da delicadeza de braços e mãos finas. Apaixono-me fácil e esqueço com mais facilidade ainda – tenho problemas até hoje com isto. Quero liberdade e quero braços que me guiem nessa mesma direção. Se não for assim, continuo caminhando sozinho em busca dos meus ideais.
Sou tão mais interessado do que você pode imaginar, só não vou ficar lembrando do meu amor quantas vezes quiser.

O primeiro cigarro que traguei na vida foi maconha. No começo é a curiosidade invadindo seus poros e depois você não sabe qual é a melhor sensação entre transar e “dar uma bola”. Ninguém me induziu – peguei e traguei aquele filtro absorvendo toda sujeira para dentro do meu organismo. Depois disso vieram as noites mal dormidas, homossexualismo e nicotina. Não usei injetáveis, sempre tive medo de agulhas.

Olha, senhor… sei que não sou bom, mas… hm… eu canto uma música! Gosta de Bee Gees? Sei cantar How Deep Is Your Love como ninguém. Tenho despertado o interesse em mim, por mim e para mim nos últimos dias, isto é de um egoísmo tão magnífico que não me cabe. Talvez se eu mudar a música, isto não soe tão romântico como parece. O que você faz quando as pessoas não tem olham? Costumo não ser eu mesmo ou então eu costumo ser mais eu do que acho que sou. É um egocêntrismo que me cabe, mas vaza pelas bordas.
Eu não sei o que escrever, neste momento oscilo entre umas olhadas para fora e outras para dentro. Como diria Clarice Lispector, “perder-se também é caminho”.

In memoriam

Chuva com sol ardente ao fundo, paisagem medíocre da tarde que passamos. Poderia chover a vida inteira e eu passaria a amar as pequenas coisas que vejo na rua. Até mesmo o ar ficou mais calmo e eu pude perceber com clareza o quanto o caminho que sigo todos os dias pode ser bonito se houver tempestade caindo sobre mim. Piedade, eu não sei amar o sol. Faço a fotossíntese à noite e a minha flor favorita só acorda ás onze. Levito com quatro pernas, minhas três mãos estão calejadas do asfalto e eu perco cinco faces todo o segundo.
Quem foi que deixou o sol aparecer outra vez?

Recomposição

 

Faz tanto tempo que isto aconteceu, nem sei quando, não sei onde, mas foi maravilhoso. Conquistei em pouco tempo o direito de ter uma segunda vida nas mãos, aquela onde você toma para consigo e cuida até o tempo dizer chega. Aí você dá carinho, conquista a cada dia e mesmo assim falta algo. Chorei dias através de músicas que não condiziam com aquela trilha sonora, ao mesmo instante estavam sendo adicionadas canções novas que nunca tinha cantado e eu pude sentir um pouco dessa falta naquele momento. Falta algo na minha essência. Falta fermento para crescer. Falta gana. Falta motivo. Falta animação. Falta minha vida de uma forma nova.

 

O amor não bateu na minha porta, ele arrombou as janelas e roubou meu bem mais precioso. Agora está faltando uma faca nos meus talheres, aquela onde costumo cortar o bolo em fatias pequenas. Sem faca, eu não cortarei mais. O tempo também auxiliou nessa perda, ele fez com que a culpa não seja totalmente do amor e eu passei a esquecer o quanto aquela faca era importante nas minhas manhãs. Lembra quando você chupava chupeta e seus dentes, independente de idade, cresciam e entortavam-se? Era difícil viver sem ela, mas a dor no dente não era incômoda. O tempo fez com que você largasse a mesma, parece fácil, mas livrar-se de algo que esteve contigo há tanto tempo é dolorido. Digo isto para figurar minha vida, quando falamos de amor tudo muda (ou nada muda). Tem gente que nunca viveu o amor, tem gente que procura um há muito tempo. Há pessoas que não querem se aproximar e existem aquelas que detestam amar. Gostar de alguém é complicado, você deixa um pouco de ser você para viver o outro. Aquele nhenhenhem pegajoso toma conta do seu humor. O resultado pode até ser uma anulação do eu verdadeiro para ser somente o eu você, entende?

 

Ainda sim há algo que muda verdadeiramente. Você fica mais sensível, bonito, vulnerável e toma as dores necessárias se possível. As coisas vão mudando automaticamente. Já disse uma vez, amor é uma palavra complexa. É expansão, transformação, personalidade e acima de tudo é amor. Um filme bonito significa amor, ao mesmo tempo que uma música tocada na hora certa transparece amor para aquele momento. O que muda são os olhos de quem vê. Eu me vejo em reconstrução. Veja só: o relacionamento em si, implica em algumas promessas e juras eternas (seja como você administra sua verdade para com a outra), me vi fascinado até então por um futuro bonito que terminou meses depois. Acredito que, depois de algum tempo, eu ainda esteja sensível para o tão desejado amor. Falta algo em mim para que seja expelido em forma de felicidade e dói tanto quando as pessoas dizem que você está ‘azedo para a vida’. Elas, os telespectadores, vêem tudo de camarote o grande espetáculo que é a sua solidão. Aquele sorriso contagiante foi deletado e no lugar dele, há cansaço e ilusão. Estou cansado, estou tentando procurar amor em tudo que vejo, mas não dá. Eu tento e busco amor para comigo mesmo e só me mostram uma alternativa somente: recomposição.

 

Eu não estou pronto. Talvez esteja caso fosse diferente desta vez, eu cobiço alguém que me faça perder os sentidos, me deixe louco e me tire o sono. Almejo o fascínio, mas não precisa ser como um conto de histórias infantis. Eu quero a sensibilidade de alguém nas minhas mãos – eu suporto as dores que virão, mas que seja real e me faça sangrar. Não quero um motivo óbvio para gostar de alguém, quero um motivo natural que me faça ficar impressionado, aí o amor vêm de brinde e tudo caminha de mãos dadas contigo. Amor vêm da alma, acelera o coração e enlouquece. Também não quero alguém certo, desejo que os erros venham do agrado de sabê-los corrigir. Quando (mais cedo ou tarde) o amor vier, eu vou saber dizer olá e vou estar pronto para gastar minhas energias novamente fazendo tudo que eu desejar. Que não me falte felicidade nessa minha nova empreitada. Eu quero sentir dor.

And my brain hurts and my soul is aching
And I’m not sure if my heart can take it.
And my brain hurts and my soul does ache and I,
I have never felt this kind of pain.
And my brain hurts and my sould does ache and
I think my heart’s about to break.

 

Arquibancada

Ostento agora uma paisagem bonita, de pessoas bonitas e de um clima contagiante. Vejo-me com nove anos de idade, quando moleque, brincava de esconder com os amigos e não tinha pequeno algum que me encontrasse. A magia que existe nos nove anos não dura até os vinte. Eis que agora eu não preciso me esconder dos amigos e estes não se importam com brincadeiras infantis no melhor estilo remember. Poderíamos ter nove anos para todo sempre, pedir aos céus que apertem o botão pause e que a vida seja somente recheada de desenhos animados, doces e amigos. Crescer é um saco. Tive que chegar até os vinte para confirmar isto. Ficamos velhos, chatos, o nosso gosto musical muda e você não lembra de muita coisa que viveu naquela época. Porém, sabe que foi a fase mais intensa de sua vida porque os amigos eram unidos, os desenhos eram mais divertidos e educativos e até tinha intervalos para dormir até tarde.

A maturidade toma sua inocência e aquela pureza não existe mais. Enquanto você procura livros de filosofia na estante, você esquece que não dava importância a eles. Sabe também que a maturidade lhe dá oportunidades e alguma liberdade. Eu não preciso reclamar da minha – apesar do pesar, eu sei bem onde piso e procuro ao máximo firmar meus pés no solo como raíz adubada. Assim você não fica sem graça, lamentando a vida, alimentando futilidades. Sabe também que a vida não é fácil, mas contorna os traços dela com canetinhas coloridas, assim fica bonito. Um abraço para quem não tem medo de errar e corrigir os mesmos. Que a loucura torne mais interessante e que a motivação sente em um lugar na arquibancada gritando e torcendo para que você ganhe neste jogo, no final.