Arquivo para julho, 2011

Status

Nada flui, nada caminha. Enrosco minha roupa no arame e perco um pouco da nobreza. Gosto quando o dia está meio chuva, meio sol. O trabalho também estava pelo meio: meio matando serviço, meio trabalhando também. Mas nada flui, nada caminha. E tudo muda ao meu redor e eu sinto preguiça de algumas pessoas.
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Anotações de um amor urbano

Desculpa, digo, mas se eu não tocar você agora vou perder toda a naturalidade, não conseguirei dizer mais nada, não tenho culpa, estou apenas sentindo sem controle, não me entenda mal, não me entenda bem, é só essa vontade quase simples de estender o braço pra tocar você, faz tempo demais que estamos aqui parados conversando nessa janela, já dissemos tudo o que pode ser dito entre duas pessoas que estão tentando se conhecer, tenho a sensação, impressão, ilusão de que nos compreendemos, agora só preciso estender o braço e com a ponta dos meus dedos tocar você, natural que seja assim: O toque, depois da compreensão que conseguimos, e agora.
Não diz nada, você não diz nada. Apenas olha pra mim, sorri. Quanto tempo dura? Faz pouco despencou uma estrela e fizemos, ao mesmo tempo e em silêncio, um pedido, dois pedidos. Pedi pra saber tocá-lo. Você não me conta seus desejos. Sorri com os olhos, com a mesma boca que mais tarde, um dia, depois daqui, poderá dizer: Não. Há uma espécie de heroísmo então quando estendo o braço, alongo as mãos, abro os dedos e brota. Toco. Perto da minha boca se entreabre lenta, úmida, cigarro, chiclete, conhaque, vermelho, os dentes se chocam, leve ruído, as línguas se misturam. Naufrago em tua boca, esqueço, mastigo tua saliva, afundo. Escuridão e umidade, calor rijo do teu corpo contra a minha coxa, calor rijo do meu corpo contra a tua coxa. Amanhã não sei, não sabemos.
Pensei em você. Eram exatamente três da tarde quando pensei em você. Sei porque perdi a cabeça como se você fosse uma tontura dentro dela e olhei o digital no meio da avenida.
Corre, corre. O número do telefone dissolvendo-se em tinta na palma da mão suada. Ah, no fim destes dias crispados de início de primavera, entre os engarrafamentos de trânsito, as pessoa enlouquecidas e a paranóia à solta pela cidade, no fim desses dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa, e passa a mão na minha cara marcada, no que resta de cabelos na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu olho. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta, e você me leva para Creta Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem. O telefone toca três vezes. Isto é uma gravação deixe seu nome e telefone depois do bip que eu ligo assim que puder, ok?
O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias. Não tomo banho. Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu. E basta fechar os olhos pra naufragar outra vez e cada vez mais fundo na tua boca. Abismos marinhos, sargaços. Minhas mãos escorrem pelo teu peito, gramados batidos de Sol, poços claros. Alguma coisa então pára, as coisas param. Os automóveis nas ruas, os relógios nas paredes, as pessoas nas casas, as estrelas que não conseguimos ver aqui no fundo da cidade escura. Olho no poço do teu olho escuro, meia noite em ponto. Quero fazer um feitiço pra que nada mais volte a andar. Quero ficar assim, no parado. Sei com medo que o que trouxe você aqui foi esse me jeito de ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei que agora esse jeito se despedaça. Torre fulminada, o inabalável vacila quando começa a brotar de mim isso que não esta completo sem o outro. Você assopra na minha testa. Sou só poeira, me espalho em grãs invisíveis pelos quatro cantos do quarto.
(…) Fico tosco e você se assusta com minha boca faminta voraz desdentada de moleque mendigo pedindo esmola neste cruzamento aonde viemos dar.
A cidade está louca, você sabe. A cidade está doente, você sabe. A cidade está podre, você sabe. Como gostar limpo de você no meio desse doente podre louco? Urbanóides cortam sempre meu caminho à procura de cigarros, fósforos, sexo, dinheiro, palavras e necessidades obscuras, que não chego a decifrar em seus olhos semafóricos. Tenho pressa, não podemos perder tempo. Como chamar agora a essa meia dúzia de toques aterrorizados pela possibilidade da peste? (Amor, amor certamente não). Como evitaremos que nosso encontro se decomponha, corrompa e apodreça junto com o louco, o doente, o podre? Não evitaremos. Pois a cidade está podre, você sabe. Mas a cidade esta louca, você sabe. Sim a cidade está doente, você sabe. E o vírus caminha em nossas, companheiro.
Fala, fala, fala. Estou muito cansado. Já não identifico nenhuma palavra no que diz. Apenas me deixo embalar pelo ritmo de sua voz, dentro dessa melodia monótona angustiada perplexa repetitiva. Quase três da manhã. Não temos onde ir, nunca tivemos aonde ir. Um nojo, vez em quando me dá asco – nojo é culpa, nojo é moral – você se sente sórdido, baby? – eu tenho medo, eu não quero correr risco – não é mais possível – vamos parar por aqui – quero acordar cedo, fazer cooper no parque, parar de beber, parar de fumar, parar de sentir – estou muito cansado – não faz assim, não diz assim – é muito pouco – não vai dar certo – anormal, eu tenho medo – medo é culpa, medo é moral – não vê que é isso que eles querem que você sinta? Medo, culpa, vergonha – eu aceito, eu me contento com pouco – eu não aceito nada nem me contento com pouco – eu quero muito, eu quero mais, eu quero tudo!
Eu quero risco, não digo. Nem que seja a morte.
Cachorro sem dono, contaminação. Sagüi no ombro, sarna. Até quando esses remendos inventados resistirão à peste que se infiltra pelos rombos do nosso encontro? Como se lutássemos – só nós dois, sós os dois, sóis os dois – contra dois mil anos amontoados de mentiras e misérias, assassinatos e proibições. Dois mil anos de lama, meu amigo. Tantos lixos atapetando as ruas que suportam nossos passos que nunca tiveram aonde ir.
Chega em mim sem medo, toca meu ombro, olha nos meus olhos, como nas canções do rádio. Depois me diz: “-Vamos embora para um lugar limpo. Deixe tudo como esta. Feche as portas, não pague as contas e nem conte a ninguém. Nada mais importa. Agora você me tem, agora eu tenho você. Nada mais importa. O resto? Ah, os restos são restos. E não importam. Mas seus livros, seus discos, quero perguntar, seus versos de rima rica? Mas meus livros, meus discos, meus versos de rima pobre? Não importa, não importa. Largo tudo. Venha comigo pra qualquer outro lugar. Triunfo, Tenerife, Paramaribo, Yokohama. Agora já. Peço e peço e não digo nada, mas peço peço diga, diga já, diga agora, diga assim. Você planeja partir para um país distante, sem mim, de onde muitos anos depois receberei a carta de um desconhecido com nome impronunciável anunciando a sua morte. Foi em Abril, dirá abril e maio. Ou Setembro, Outubro. Os mais cruéis dos meses. Tanto faz, já não importará depois de tanto tempo, numa cidade remota.
(…) e vou dizendo lento, como quem tem medo de quebrar a rija perfeição das coisas, e vou dizendo leve, então, no teu ouvido duro, na tua alma fria, e vou dizendo leve, e vou dizendo longo sem pausa – gosto muito de você de você muito de você.
Caio Fernando Abreu

Características do pisciano:

Sensível, gentil, generoso, simpático e romântico.
Eu: desapegado, despreocupado, ciumento e orgulhoso.

Última – e primeira

– Você se casará com um homem maravilhoso e que vai te dar toda a felicidade que sempre quis. Atenção, ele estará ligado à área da saúde. Você se casará quando tiver 28 anos.
– Se não fosse por ele, eu não teria comemorado meu vigésimo sétimo aniversário.
(ad infinitum)
Update:

Atualmente estão separados, ele não gosta de transar com ela e a mesma não sabe o motivo disso. Talvez o amor acabou, talvez ele seja gay…

Navegar é preciso (ou não)

Eu nunca fui desses que gostam de ser guiados, desses que precisam de alguma base para seguir na vida. Nunca fui aquele que pedia conselhos, ou se pedia, sempre tomava a decisão que me achava conveniente. Não está sendo fácil rever o meu conceito. Não estou reclamando, mas é que essa história de deixar a vida à toa para ser cuidada por alguém de fora é uma novidade. Eu posso contar nos dedos das vezes que puxaram a minha orelha, mas agora é diferente, estou sendo puxado inteiramente (da cabeça aos pés). É assim que deve ser?
Depois da minha mãe, você é a melhor pessoa para cuidar dos meus horários, da minha saúde, da minha fome – fome de alguém. Gosto tanto quando sou puxado para cima quando você sorri de orgulho e até mesmo quando sou puxado para baixo você sorri, sorri de tristeza sabendo que nunca mais voltarei a fazer aquilo novamente. É uma onda que sobe e desce no nosso conceito, meu e seu, revendo nossas atitudes. Eu penso em dobro quando vou ao supermercado, penso em dois quando encaro a fila de cinema, penso em nós quando escuto uma música bonita. É dessa forma que as coisas são?
Eu tenho bons motivos para fixar teu nome no meu anel, mas estamos construindo e moldando uma fase tão agradável de nossas vidas que parece que, cedo ou tarde, nós passaremos para o melhor lado da correnteza.

Para ler ouvindo: Alanis Morissette – Madness
https://sites.google.com/site/pickuptheheadphones/pickup/player.swf

Eu nunca disse o quanto eu gosto de você da maneira que sempre quis. Parece que tudo é pouco perto do que você significa pra mim. É dessa forma que eu busco maneiras de impressionar você.

Só nós dois sabemos o que passamos para chegar até aqui, só nós dois sabemos o quanto foi bom e difícil alcançar os nossos objetivos juntos. Temos muitos outros pela frente, mas o importante é que sempre nos mantemos firmes nos nossos ideais. É por isso que eu quero ficar do seu lado. Eu tenho um ideal que você também tem e é com isso que fortalecemos a cada obstáculo (mesmo que seja pequeno).

O que eu quero dizer de verdade é que o meu ideal é proteger o amor que tenho com todas as minhas forças e dá-lo para você – porque é você que eu escolhi, é você que quero.

Para ler ouvindo: Florence + The Machine – Blinding
https://sites.google.com/site/pickuptheheadphones/pickup/player.swf

Fiquei sabendo que um conhecido foi para a Noruega, isso despertou o meu interesse em conhecer o Canadá. Aquele menino que nunca aparecia nas fotos e nunca puxava uma conversa foi para outro canto conversar com gente que não entende a sua língua materna. Esse não é o motivo da minha reflexão, mas sim, libertar toda a nostalgia que eu sentia pelas coisas do passado e que refletem/refletirão no meu futuro.
Ouvi músicas que não ouvia desde 2005, vi pessoas que não falava há muito tempo e lembrei dos momentos bons e ruins de morar na casa dos pais. É por essas e outras que chego aonde quero: a gente segue conforme os nosso objetivos e desejos. Aquele menino, vizinho, hoje é um estudante brasileiro que mora em Oslo. Amanhã já não sei.
Colocando em pauta o meu momento atual, vejo-me cercado de dúvidas com relação à qual porta do destino bater. Essas dúvidas precisam existir? É tão dolorido escolhê-las. Eu gostaria de achar a minha luz no final deste túnel.
Desde criança a educação que eu tive dos meus pais foram totalmente contrárias às regras de uma boa conduta. Não que eles sejam pais ruins – minha mãe terminou o colegial e meu pai estudou até a quinta série e nem por isso éramos tratados à chineladas.
Uma das coisas que eu não aprendi com a minha mãe foi ter paciência para as coisas da vida. Sempre fui um menino afobado, daqueles que não dormiam enquanto concretizasse alguma coisa. Minha mãe é exatamente o espelho do que eu era na infância. Meu pai me ensinou a palavra “viado” depois que eu fugi dos padrões de um menino normal – em 1998. Foi aí que vieram as meninas, o elástico, a amarelinha, as bonecas, os pirulitos, o amiguinho que me ensinou que no pipi faz cosquinha…

Back to royal life

Novo blog!

Mais um pra coleção! Não sei porque crio essas coisas se eu nunca escrevo nada concreto e relevante. Espero que isso aqui seja diferente.