Arquivo de abril, 2012

Para você, meu eu verdadeiro

Dessa vez eu aprendi que o silêncio pode dizer muitas coisas. É nessas conversas que você se encontra cara a cara com seu ‘eu verdadeiro’, como se não bastasse: do jeito que você criou. Parece-me que com os anos nossa imagem ganha peso e lentidão depois dos inúmeros acontecimentos (na maioria trágicos). Foi bem nesse momento que eu conversei comigo mesmo. Falamos de tudo: música, filmes, comportamento, gente que ficou com gente, bicho que pegou gente e bilhetes trocados na hora da aula. Como é de costume, o ‘eu verdadeiro’ falou do silêncio que insistia em nos dizer coisas. Todo mundo falou ao mesmo tempo, ninguém ouviu nada. É assim que meu ‘eu verdadeiro’ enxerga o meu silêncio – “…e ninguém ouviu absolutamente nada”.

Falar e falar. Repetidas vezes. Falar, falar, falar… quantas vezes eu falo sem ser ouvido? Quantas vezes sou ouvido enquanto falo? Por quantas vezes eu falei sem ninguém ouvir nada? Decidi comigo mesmo, o silêncio do meu ‘eu verdadeiro’ é o melhor ouvinte que já tive por toda a minha vida. E olha que à minha volta sobram pessoas.

Eu tenho dessas manias de falar sozinho mesmo, talvez nem seja comigo que estão falando.

Maria Emília

Eu vou sentir muito a sua falta, minha pequena menina.
É aí que todo o meu protesto faz sentido. No começo era só uma pedrinha de nada e que só chacoalhar os sapatos iam-se com o vento, porém esqueci que ao pisar no chão novamente eu poderia pisar em mais pedrinhas – talvez ainda maiores. Existe um quadro branco quando você conhece alguém, uma tela a ser pintada ou rabiscada conforme a sua vontade. É aí… bem nesta parte que o meu desgosto (ou desprezo, como achar melhor) se molda e se transforma em uma belíssima rosa. Linda por cima, superficialmente, e cheia de espinhos na base (as pedrinhas). Eu gosto de pensar que essa tela branca ficará assim até o final, pois intimidade incomoda e abre diversas lacunas psicológicas.
Quando você coloca os pés novamente no chão, sente as pedrinhas e tem vontade de se lançar ao vento, buscando novas telas brancas para pintar.

48 horas

“Quis fazer Weekend de forma honesta. Falar como ser gay e não fazê-lo de forma aceitável. A história tinha que ter um formato que pudesse ser sentida por qualquer pessoa, mas que falasse de problemas desses homens gays. Apesar de uma aceitação maior da sociedade, o peso de ser diferente continua… As mudanças acontecem, mas você ainda não tem que lutar contra um mundo heterossexual”, disse Andrew Haigh em entrevista ao The Guardian.