“Eu sou a amiga mais antiga”

Veio em minha direção, sentou-se a mesa e apontou os dois dedos maiores como quem pede um cigarro. Falou meia dúzia de palavras e balancei a cabeça num tom afirmativo “tá tudo bem”. Neste momento eu percebi o quanto você era responsável pela minha felicidade – que começou há poucas semanas e perdurou até o dia de sua partida.

Nestes encontros eu confessei coisas, falei em tom baixo, dei risadas bobas. “Eu sou a amiga mais antiga”, dizia ele num tom irônico e adorável. Pedia atenção e logo era atendido. Fazia birra como criança para ver o seu programa de TV favorito (o controle remoto estava em seu poder).

Queria te contar outras coisas, rir de mais piadas prontas e fumar um cigarro na sua varanda. Você partiu e nem deu tempo de dizer adeus. Deixou mais meia dúzia de palavras e um coração cheio de saudade.

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