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É

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After all this time?

Teve um momento na minha vida em que me desliguei durante duas semanas só para pensar em uma única coisa, o engraçado disso é que nunca dura o tempo suficiente para alcançar o outro lado da ponte com essa coisa nos meus braços. “Felicidade é bom, mas não dura para sempre”, já ouviu isso? É isso.

Nesse momento eu quis pular, quis adorar, quis casar-me, quis…

Não há desculpas, de ninguém. O fato é que assusta, felicidade demais é motivo de pânico. Não tive tempo para fazer tudo o que gostaria de fazer, preciso mesmo ser reprovado. E agora estou impotente outra vez.

Pequeno bloco de anotações I

Eu gosto da sua docilidade, ela é tão bonita que nem cabe dentro de si. Da mesma forma como eu gosto de você, você gosta de mim. E dessa forma, nós cultivamos uma colheita do bem para o bem. Faremos assim, seus olhos continuam fertilizando os meus passos e os meus abraços continuam plantando várias sementes em você. Hoje eu tenho certeza que és a flor mais bonita do meu jardim.

Se essa rua fosse minha…

Se essa rua, se essa rua fosse minha eu mandava parar o trânsito para ver céu desabar. Se essa rua, se essa rua fosse minha eu mandava, eu mandava o sol parar de castigar. Arrumaria os buracos, molharia o fogo das folhas e educação para quem não cantorolou essa cantiga sobre a natureza.

Falta poesia na vida adulta.

Receita do dia: Bolo de bergamotas

Alan, meu querido, parabéns pelo seu dia. E olha, vou botá-lo no forno e degustá-lo em homenagem aos teus aninhos de vida.

Ingredientes:
3 ovos
2 xícaras de farinha de trigo
2 xícaras de açúcar
1 xícara de suco de bergamota
1 colher de sopa rasa de fermento Royal

Cobertura:
1 xícara e meia de suco de bergamota
1/2 xícara de açúcar
2 colheres de amido de milho (Maisena)

Modo de fazer a cobertura:
Cozinhar, mexendo sempre para não empelotar, até ficar um creme homogêneo.

Modo de fazer o bolo:
Bater na batedeira todos os ingredientes da massa e por último adicionar o fermento, apenas misturando.
Levar ao forno médio e assar por aproximadamente 25 a 30 minutos. Depois de pronto, cubra o bolo com a cobertura.

Soltando verbos

O problema das pessoas é a liberdade. O desejo de contar algo, pedir um favor, falar segredos e algumas verdades que nunca poderiam ser expelidas. O problema de conhecer alguém é a limitação dos corpos, porque se você não tem habilidade para transformar um clima de nervosismo em um banquete relaxado e servido à vontade, você continuará preso em dobro nesta sensação incômoda. A vantagem de ter alguma liberdade é que você pode encostar na pessoa sem receber reprovação, porque a sua cara de pau vai além e você consegue fazer a outra sentir sua liberdade e conseqüentemente prazer. É desnecessário os limites, mas também é delicioso sentir-se dominado pela presença de alguém. Só pela presença no começo, porque depois você mostra a sua liberdade – se você souber usá-la, claro.

O segundo problema em conhecer alguém são as intenções. Existem várias, múltiplas intenções que vão de posições bem treinadas de kama sutra ou até aquelas mais delicadas em que sentimos o coração do outro bater tão forte que dá vontade de encostar bem perto para ficar escutando. O desejo é este: conhecer alguém. Depois que você conhece alguém, selecione o que lhe agrada e o que supostamente iria detestar quando estiver beirando os 40 anos de idade junto com ela, sempre junto.

O ruim é que a maioria das pessoas erram também, porque insistem em acreditar que o amor é capaz de superar qualquer defeito e qualquer mancada (eu sei, existem as excessões). O certo é que não vai existir alguém que se encaixe nos moldes, que seja recíproco ao extremo se não acreditarmos que a liberdade que possuímos, precisa ser colocada em prática e que os limites… ah, os limites? Anule-os! afinal, para que são necessários?

Pela noite

“Entre dois homens, amor é igual a sexo que é igual a cu que é igual a merda. Sabe que não agüento merda? Eu vejo um cara e gosto e tal e me aproximo e rola umas, sempre rola umas, porque eu canto bem, eu sei cantar, veja que vaidade, e daí eu penso Deus, daqui a pouco a gente vai pra cama e chupa daqui, chupa dali, baba, roça, morde, e no fim inevitável tem o cu e a merda no meio. Você acaba sempre dando a bunda ou comendo a bunda do outro. Se você dá, ainda não é nada. Tem a dor, a puta dor. Caralho dói pra caralho. Tem uns jeitos, uns cuspes, uns cremes. Mas é nojento pensar que o pau do outro vai sair dali cheio da sua merda. Mesmo nos casos mais dignos, você consegue imaginar Verlaine comendo Rimbaud? E se você come o outro, tem a merda do cara grudada no teu pau. Mesmo no escuro, você sente. (…) Tem amor que resista? (…) Amor entre homens tem sempre cheiro de merda. (…) Por isso, eu não agüento. (…) Eu não consigo aceitar que amor seja sinônimo de cu, de cheiro de merda. (…) Ter cu é insuportável, é degradante você se resumir a um tubo que engole e desengole coisas. Eu não vou aceitar nunca que o ser humano tenha cu e cague. (…) E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo. No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. (…) Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você pode até gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda”.

Caio Fernando Abreu