Arquivo da categoria: Vida estranha

A arte do dengo

Deparo-me com algo estúpido: sou mais estúpido do que qualquer outra pessoa. Mereço a condição do desapego e mereço não ficar por muito tempo nesse clima cômodo que estou. Eu deveria mesmo parar de insistir nas pessoas.

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O sonho da noite anterior

Era de madrugada. Todo mundo estava dormindo, acredito que meus pais também. Não lembro detalhes da escuridão, não se tem muito a dizer sobre o preto. Minha mãe acordou com os barulhos que vinham do fundo de casa – na casa dos meus pais, a área de serviço fica nos fundos e tem um espaço enorme onde se estendia desnecessariamente. Ao abrir a porta, minha mãe viu a sombra de um rapaz e começou a gritar, nesse instante eu pulei da cama e fui acodir. Um pedaço de madeira daquelas de jogar “bets” apareceu na minha mão e foi onde eu matei o rapaz a pauladas.

Depois disso olhei novamente, o corpo já não existia mais. No lugar havia pedaços de carne humana e um bando de aves comiam vorazmente até restar ossos.

Pesquisei o significado desse sonho no google e o resultado foi “mudança de residência”. Menos mal.

Não há ponto

Eu não entendo. Estou tentando entender o que acontece há muito tempo e não vejo respostas. Em um dia há uma tranquilidade absoluta e assustadora, e no outro não existe paz. Há uma fúria interior que nunca se cala, é sobre ela que tenho vivido – em cima sob pressão. Dá vontade de jogar um balde de água fria quando isso acontece, mas não adianta simplesmente amenizar a situação. Depois de um tempo ela sempre volta.

Au revoir

Não vou prometer nada para o ano novo, nunca cumpri alguma coisa. Só quero constar que o ano passado eu… acho que… hm, fui feliz. É, isso mesmo! Fui feliz… porquê? Ah, sabe? Sei lá, sabe quando você sente uma vibração positiva de algo que achou que não ia dar certo? Pois é, 2009 foi assim pra mim e deu certo no final.

– Quando foi que esqueci do meu sonho?

— Você deveria tomar mais cuidado com o que escreve. Nunca se sabe quando um futuro empregador pode ler isso.

— Quando foi que nos esquecemos dos nossos sonhos?

— Como?

— As infinitas possibilidades contidas em um único dia deveriam desnortear a mente. O número de experiências que eu poderia ter é incontável, de tirar o fôlego, e eu estou sentada aqui, atualizando minha caixa de entrada. Nós vivemos presos em círculos, revivendo alguns dias de novo e de novo, e temos capacidade de ver só alguns caminhos que se estendem a nossa frente. Vemos as mesmas coisas todos os dias, respondemos das mesmas maneiras, pensamos os mesmos pensamentos. Todo dia é uma variação mínima do anterior. Todo momento seguindo suavemente as curvas gentis das normas sociais. Aprendemos a agir como se, aguentando o dia de hoje até o fim, amanhã nossos sonhos voltarão para nós. E não, eu não tenho todas as respostas. Eu não sei como me ensinar a ver o que cada momento poderia me trazer. Mas eu sei uma coisa: a solução não envolve neutralizar cada pequena idéia e impulso criativo para algum dia facilitar a minha entrada em algum molde. Não envolve manipular a minha vida para ajustá-la às expectativas de alguém. Não envolve me repreender constantemente por medo de mudar as coisas.

extraído de uma tira.