Maria Emília

Eu vou sentir muito a sua falta, minha pequena menina.
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Tela branca, rosas e pedrinhas nos sapatos

É aí que todo o meu protesto faz sentido. No começo era só uma pedrinha de nada e que só chacoalhar os sapatos iam-se com o vento, porém esqueci que ao pisar no chão novamente eu poderia pisar em mais pedrinhas – talvez ainda maiores. Existe um quadro branco quando você conhece alguém, uma tela a ser pintada ou rabiscada conforme a sua vontade. É aí… bem nesta parte que o meu desgosto (ou desprezo, como achar melhor) se molda e se transforma em uma belíssima rosa. Linda por cima, superficialmente, e cheia de espinhos na base (as pedrinhas). Eu gosto de pensar que essa tela branca ficará assim até o final, pois intimidade incomoda e abre diversas lacunas psicológicas.
Quando você coloca os pés novamente no chão, sente as pedrinhas e tem vontade de se lançar ao vento, buscando novas telas brancas para pintar.

48 horas

“Quis fazer Weekend de forma honesta. Falar como ser gay e não fazê-lo de forma aceitável. A história tinha que ter um formato que pudesse ser sentida por qualquer pessoa, mas que falasse de problemas desses homens gays. Apesar de uma aceitação maior da sociedade, o peso de ser diferente continua… As mudanças acontecem, mas você ainda não tem que lutar contra um mundo heterossexual”, disse Andrew Haigh em entrevista ao The Guardian.

Ficar sozinho

“Ficar sozinho significa ser você mesmo, por completo. A pessoa pode desenvolver-se livremente, sem ter de submeter-se a coações de estranhos. Ficar sozinho consigo é algo especial, e ser capaz disso, algo mais especial ainda.

Sempre tive inveja das pessoas que conseguem ficar bem sozinhas, porque elas dispõem de reservas internas que lhe garantem independência e liberdade. Muitas pessoas afirmam querer essa liberdade, mas quase todos a temem. Elas a temem mais do que tudo na vida.

Se ficam sozinhas, mesmo que por apenas alguns minutos, procuram com os olhos alguma coisa que possa preencher seu vazio. Temem o silêncio, aquele silêncio em que se está sozinho com os próprios pensamentos, o infinito monólogo interior. Nesses momentos, é preciso que se goste, de fato, da própria companhia.

A vantagem é: a pessoa não precisa violentar-se, nem ajustar-se a ideias estranhas apenas por querer agradar”.

Federico Fellini

Conversas estelares

Foi assim: peguei um copo, sentei na mesa e comecei a pensar nas coisas que me fazem ter lembranças de um tempo atrás. Coisas que eu não estava acostumado a pensar sempre, coisas que eu não me acostumaria tão facilmente. Foi aí que me dei conta que eu tento ser tão imparcial ao ponto de não saber definir o que é bom e o que é necessário pra mim. Faz muito tempo que não tenho notícias de ninguém, nem suas. É, você. Uns dias atrás achei uma foto antiga e não quis relembrar o motivo que a fez se distanciar de mim, por mais que esteja óbvio e por mais que eu não queira, essa história permeia toda vez que alguém diz o teu nome. Sinto-me em uma música de Alanis Morissette, na qual ela hesita em falar o nome do ex-namorado por achar que não foi boa o bastante para ele. Nosso caso não existiu amor, você nunca foi minha namorada e nós nunca tivemos caso algum – mas me pergunto se a nossa relação foi verdadeiramente boa o bastante para te chamar de amiga. 
E hoje, onde estão nossas conversas, admirações, cigarros, histórias…? Ainda sentado sob a mesa pós café da manhã, penso em lealdade acima de tudo. Não posso cobrar algo que as pessoas não querem expôr, não posso pedir coisas que não estão no alcance do próximo e eu pensei, por algum momento, que estava perdido em uma história que eu mesmo criei. Se a culpa não foi sua, porque se defender de algo que não chega aos seus pés? Tudo isso só me leva a crer que não és a garota que aparentava ser.

Um beijo, D.

Tapa-olho

Faz menos de uma semana que estou trabalhando e isso é algo realmente bom. Digo assim porque eu não aguentava mais procurar e esperar uma resposta – assim como quando a gente senta e espera o bonde passar. Por outro lado estou gostando dessa nova fase que a minha vida está levando, espero do fundo do coração que eu ganhe com isso dessa vez. Espero que as oportunidades não apareçam trazendo as boas novas com um contra de brinde. Não posso enxergar apenas um dos lados.

Beijo pra você, vida!

Não sei lidar com entrevistas de trabalho. Até ontem eu era o entrevistador, hoje sou o entrevistado – certificando o quão a vida pode dar reviravoltas. Terminei com meu namorado no domingo, mas na segunda-feira tudo estava bem. Conheci o disco que me faria ficar com os fones de ouvido o dia todo e o meu computador precisa de uma formatação pesada.
É só isso que tenho para dizer da minha semana. Um beijo destino!

Nunca se sabe, né?

Minha reação quando alguém pergunta sobre como está a minha vida nunca é positiva. Talvez porque eu não gostaria de estar aonde e como estou no momento, talvez porque existem coisas que precisam ser explicadas ou provadas a mim mesmo. Quando isso acontece um sentimento de impotência permeia meus pensamentos e eu me pergunto: porque eu sou tão instável? Digo, por que para algumas coisas eu sou cômodo e para as outras instável? Isso não está correto, não é assim que deveria ser, não é? Aí eu penso em mais coisas, como por exemplo, de que maneira estarei daqui três ou quatro meses? E semana que vem? E amanhã? E no segundo seguinte? Uma pessoa pode morrer instantâneamente da forma mais cretina possível… um ataque do coração aqui, um derrame ali, sei lá, nunca se sabe né?

Acho melhor parar de assistir estes filmes ingleses depressivos.