48 horas

“Quis fazer Weekend de forma honesta. Falar como ser gay e não fazê-lo de forma aceitável. A história tinha que ter um formato que pudesse ser sentida por qualquer pessoa, mas que falasse de problemas desses homens gays. Apesar de uma aceitação maior da sociedade, o peso de ser diferente continua… As mudanças acontecem, mas você ainda não tem que lutar contra um mundo heterossexual”, disse Andrew Haigh em entrevista ao The Guardian.

Ficar sozinho

“Ficar sozinho significa ser você mesmo, por completo. A pessoa pode desenvolver-se livremente, sem ter de submeter-se a coações de estranhos. Ficar sozinho consigo é algo especial, e ser capaz disso, algo mais especial ainda.

Sempre tive inveja das pessoas que conseguem ficar bem sozinhas, porque elas dispõem de reservas internas que lhe garantem independência e liberdade. Muitas pessoas afirmam querer essa liberdade, mas quase todos a temem. Elas a temem mais do que tudo na vida.

Se ficam sozinhas, mesmo que por apenas alguns minutos, procuram com os olhos alguma coisa que possa preencher seu vazio. Temem o silêncio, aquele silêncio em que se está sozinho com os próprios pensamentos, o infinito monólogo interior. Nesses momentos, é preciso que se goste, de fato, da própria companhia.

A vantagem é: a pessoa não precisa violentar-se, nem ajustar-se a ideias estranhas apenas por querer agradar”.

Federico Fellini

Conversas estelares

Foi assim: peguei um copo, sentei na mesa e comecei a pensar nas coisas que me fazem ter lembranças de um tempo atrás. Coisas que eu não estava acostumado a pensar sempre, coisas que eu não me acostumaria tão facilmente. Foi aí que me dei conta que eu tento ser tão imparcial ao ponto de não saber definir o que é bom e o que é necessário pra mim. Faz muito tempo que não tenho notícias de ninguém, nem suas. É, você. Uns dias atrás achei uma foto antiga e não quis relembrar o motivo que a fez se distanciar de mim, por mais que esteja óbvio e por mais que eu não queira, essa história permeia toda vez que alguém diz o teu nome. Sinto-me em uma música de Alanis Morissette, na qual ela hesita em falar o nome do ex-namorado por achar que não foi boa o bastante para ele. Nosso caso não existiu amor, você nunca foi minha namorada e nós nunca tivemos caso algum – mas me pergunto se a nossa relação foi verdadeiramente boa o bastante para te chamar de amiga. 
E hoje, onde estão nossas conversas, admirações, cigarros, histórias…? Ainda sentado sob a mesa pós café da manhã, penso em lealdade acima de tudo. Não posso cobrar algo que as pessoas não querem expôr, não posso pedir coisas que não estão no alcance do próximo e eu pensei, por algum momento, que estava perdido em uma história que eu mesmo criei. Se a culpa não foi sua, porque se defender de algo que não chega aos seus pés? Tudo isso só me leva a crer que não és a garota que aparentava ser.

Um beijo, D.

Tapa-olho

Faz menos de uma semana que estou trabalhando e isso é algo realmente bom. Digo assim porque eu não aguentava mais procurar e esperar uma resposta – assim como quando a gente senta e espera o bonde passar. Por outro lado estou gostando dessa nova fase que a minha vida está levando, espero do fundo do coração que eu ganhe com isso dessa vez. Espero que as oportunidades não apareçam trazendo as boas novas com um contra de brinde. Não posso enxergar apenas um dos lados.

Shit happens

Tem dias que a gente só quer desaparecer, não é?

Obs.: Consegui um novo trabalho! Esta é a única coisa boa do momento…

Beijo pra você, vida!

Não sei lidar com entrevistas de trabalho. Até ontem eu era o entrevistador, hoje sou o entrevistado – certificando o quão a vida pode dar reviravoltas. Terminei com meu namorado no domingo, mas na segunda-feira tudo estava bem. Conheci o disco que me faria ficar com os fones de ouvido o dia todo e o meu computador precisa de uma formatação pesada.
É só isso que tenho para dizer da minha semana. Um beijo destino!

É mais ou menos assim:

Nunca se sabe, né?

Minha reação quando alguém pergunta sobre como está a minha vida nunca é positiva. Talvez porque eu não gostaria de estar aonde e como estou no momento, talvez porque existem coisas que precisam ser explicadas ou provadas a mim mesmo. Quando isso acontece um sentimento de impotência permeia meus pensamentos e eu me pergunto: porque eu sou tão instável? Digo, por que para algumas coisas eu sou cômodo e para as outras instável? Isso não está correto, não é assim que deveria ser, não é? Aí eu penso em mais coisas, como por exemplo, de que maneira estarei daqui três ou quatro meses? E semana que vem? E amanhã? E no segundo seguinte? Uma pessoa pode morrer instantâneamente da forma mais cretina possível… um ataque do coração aqui, um derrame ali, sei lá, nunca se sabe né?

Acho melhor parar de assistir estes filmes ingleses depressivos.

Eu tive um sonho…

Ter um sonho te faz querer realizá-lo? Não, digo sonho de verdade, daqueles que você deita, dorme e sonha. É estranhamente equivocado querer realizar um sonho oculto? E se esse sonho incluisse pessoas próximas que obviamente seria contra esta sua decisão? Estou te dizendo isso porque hoje eu tive um sonho desses e isso me tomou os pensamentos durante o dia todo. Gostaria de compartilhar contigo, mas é arriscado colocar segredos em uma página da internet – quem dirá fazer coisas erradas com uma webcam ligada.

O que estou dizendo, na verdade, é sobre decisões. Tive um pulso imaginário (ou seria fantasiado?) que me fez querer dominar o mundo, mas segundo a lei do homem (e das pessoas que vão contra à minha lei) isso seria errado, imaturo, precipitado e outros adjetivos que queira incluir nesta classificação. E se o sonho fosse algo do passado evoluido para algo do futuro? Ok, vou explicar: lembre do local onde nasceu, a escola onde estudou o prézinho (existe isso ainda?), fundamental, colegial e etc, os amigos que fez, os vizinhos que conheceu, a rua que jogou bola (ou no meu caso, pulou amarelinha)… imagine tudo isso. Agora imagine você nesta mesma casa em que cresceu, com os mesmos amigos, com os mesmos vizinhos (talvez sim, talvez não) e as mesmas coisas que o acompanharam durante toda sua vida. Para algumas pessoas isso não é difícil, mas talvez para a maioria isso é algo a se pensar de verdade: coloque no seu sonho todas as coisas boas que poderia ter vivido se continuasse com as mesmas pessoas por perto. Imaginou? Isso seria algo bom ou ruim para você?

O que me fez pensar hoje foi o fato de querer voltar para o mesmo lugar onde nasci, onde cresci, onde descobri coisas sobre minha vida que talvez meus pais não pudessem me mostrar. Foi aí que eu conclui o quanto a gente cresce e toma responsabilidades que nos faz perder a sensibilidade das pequenas coisas que nos faziam feliz de verdade. Para mim, a felicidade era estar naquele lugar com aqueles amigos fazendo coisas de gente pequena, um dia gente grande, um dia adultos… Só por um tantinho assim eu desejei ir embora da onde estou para ficar perto (não no mesmíssimo lugar) e tentar fazer o resto da minha vida feliz. Às vezes eu penso que não sou daqui e procuro a felicidade em qualquer esquina da vida, quando na verdade a felicidade está dentro de mim junto com as coisas que eu vivi durante esses vinte e três anos de existência.

Eu deveria estar mais próximo da minha família, mas eles mudaram (eu mudei!) e a sensação não é mais a mesma. Não estou dizendo que deixei de amá-los, não mesmo! Só gostaria que eles sentissem essa mesma lembrança como algo bom e a usasse como motivação para seguir em frente e felizes. Bem, o que eu realmente preciso fazer é usar este meu sonho “fantasiado” para concretizar os meus sonhos reais.

« Página anteriorPróxima Página »