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Desculpa, digo, mas se eu não tocar você agora vou perder toda a naturalidade, não conseguirei dizer mais nada, não tenho culpa, estou apenas sentindo sem controle, não me entenda mal, não me entenda bem, é só essa vontade quase simples de estender o braço pra tocar você, faz tempo demais que estamos aqui parados conversando nessa janela, já dissemos tudo o que pode ser dito entre duas pessoas que estão tentando se conhecer, tenho a sensação, impressão, ilusão de que nos compreendemos, agora só preciso estender o braço e com a ponta dos meus dedos tocar você, natural que seja assim: O toque, depois da compreensão que conseguimos, e agora.

Não diz nada, você não diz nada. Apenas olha pra mim, sorri. Quanto tempo dura? Faz pouco despencou uma estrela e fizemos, ao mesmo tempo e em silêncio, um pedido, dois pedidos. Pedi pra saber tocá-lo. Você não me conta seus desejos. Sorri com os olhos, com a mesma boca que mais tarde, um dia, depois daqui, poderá dizer: Não. Há uma espécie de heroísmo então quando estendo o braço, alongo as mãos, abro os dedos e brota. Toco. Perto da minha boca se entreabre lenta, úmida, cigarro, chiclete, conhaque, vermelho, os dentes se chocam, leve ruído, as línguas se misturam. Naufrago em tua boca, esqueço, mastigo tua saliva, afundo. Escuridão e umidade, calor rijo do teu corpo contra a minha coxa, calor rijo do meu corpo contra a tua coxa. Amanhã não sei, não sabemos.

Pensei em você. Eram exatamente três da tarde quando pensei em você. Sei porque perdi a cabeça como se você fosse uma tontura dentro dela e olhei o digital no meio da avenida.

Corre, corre. O número do telefone dissolvendo-se em tinta na palma da mão suada. Ah, no fim destes dias crispados de início de primavera, entre os engarrafamentos de trânsito, as pessoa enlouquecidas e a paranóia à solta pela cidade, no fim desses dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa, e passa a mão na minha cara marcada, no que resta de cabelos na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu olho. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta, e você me leva para Creta Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem. O telefone toca três vezes. Isto é uma gravação deixe seu nome e telefone depois do bip que eu ligo assim que puder, ok?

O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias. Não tomo banho. Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu. E basta fechar os olhos pra naufragar outra vez e cada vez mais fundo na tua boca. Abismos marinhos, sargaços. Minhas mãos escorrem pelo teu peito, gramados batidos de Sol, poços claros. Alguma coisa então pára, as coisas param. Os automóveis nas ruas, os relógios nas paredes, as pessoas nas casas, as estrelas que não conseguimos ver aqui no fundo da cidade escura. Olho no poço do teu olho escuro, meia noite em ponto. Quero fazer um feitiço pra que nada mais volte a andar. Quero ficar assim, no parado. Sei com medo que o que trouxe você aqui foi esse me jeito de ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei que agora esse jeito se despedaça. Torre fulminada, o inabalável vacila quando começa a brotar de mim isso que não esta completo sem o outro. Você assopra na minha testa. Sou só poeira, me espalho em grãs invisíveis pelos quatro cantos do quarto.

(…) Fico tosco e você se assusta com minha boca faminta voraz desdentada de moleque mendigo pedindo esmola neste cruzamento aonde viemos dar.

A cidade está louca, você sabe. A cidade está doente, você sabe. A cidade está podre, você sabe. Como gostar limpo de você no meio desse doente podre louco? Urbanóides cortam sempre meu caminho à procura de cigarros, fósforos, sexo, dinheiro, palavras e necessidades obscuras, que não chego a decifrar em seus olhos semafóricos. Tenho pressa, não podemos perder tempo. Como chamar agora a essa meia dúzia de toques aterrorizados pela possibilidade da peste? (Amor, amor certamente não). Como evitaremos que nosso encontro se decomponha, corrompa e apodreça junto com o louco, o doente, o podre? Não evitaremos. Pois a cidade está podre, você sabe. Mas a cidade esta louca, você sabe. Sim a cidade está doente, você sabe. E o vírus caminha em nossas, companheiro.

Fala, fala, fala. Estou muito cansado. Já não identifico nenhuma palavra no que diz. Apenas me deixo embalar pelo ritmo de sua voz, dentro dessa melodia monótona angustiada perplexa repetitiva. Quase três da manhã. Não temos onde ir, nunca tivemos aonde ir. Um nojo, vez em quando me dá asco – nojo é culpa, nojo é moral – você se sente sórdido, baby? – eu tenho medo, eu não quero correr risco – não é mais possível – vamos parar por aqui – quero acordar cedo, fazer cooper no parque, parar de beber, parar de fumar, parar de sentir – estou muito cansado – não faz assim, não diz assim – é muito pouco – não vai dar certo – anormal, eu tenho medo – medo é culpa, medo é moral – não vê que é isso que eles querem que você sinta? Medo, culpa, vergonha – eu aceito, eu me contento com pouco – eu não aceito nada nem me contento com pouco – eu quero muito, eu quero mais, eu quero tudo!

Eu quero risco, não digo. Nem que seja a morte.

Cachorro sem dono, contaminação. Sagüi no ombro, sarna. Até quando esses remendos inventados resistirão à peste que se infiltra pelos rombos do nosso encontro? Como se lutássemos – só nós dois, sós os dois, sóis os dois – contra dois mil anos amontoados de mentiras e misérias, assassinatos e proibições. Dois mil anos de lama, meu amigo. Tantos lixos atapetando as ruas que suportam nossos passos que nunca tiveram aonde ir.

Chega em mim sem medo, toca meu ombro, olha nos meus olhos, como nas canções do rádio. Depois me diz: “-Vamos embora para um lugar limpo. Deixe tudo como esta. Feche as portas, não pague as contas e nem conte a ninguém. Nada mais importa. Agora você me tem, agora eu tenho você. Nada mais importa. O resto? Ah, os restos são restos. E não importam. Mas seus livros, seus discos, quero perguntar, seus versos de rima rica? Mas meus livros, meus discos, meus versos de rima pobre? Não importa, não importa. Largo tudo. Venha comigo pra qualquer outro lugar. Triunfo, Tenerife, Paramaribo, Yokohama. Agora já. Peço e peço e não digo nada, mas peço peço diga, diga já, diga agora, diga assim. Você planeja partir para um país distante, sem mim, de onde muitos anos depois receberei a carta de um desconhecido com nome impronunciável anunciando a sua morte. Foi em Abril, dirá abril e maio. Ou Setembro, Outubro. Os mais cruéis dos meses. Tanto faz, já não importará depois de tanto tempo, numa cidade remota.

(…) e vou dizendo lento, como quem tem medo de quebrar a rija perfeição das coisas, e vou dizendo leve, então, no teu ouvido duro, na tua alma fria, e vou dizendo leve, e vou dizendo longo sem pausa – gosto muito de você de você muito de você.

Caio Fernando Abreu

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Eu tenho muita coisa pra dizer, muitas palavras pra lançar. Tenho pensado em como a vida é cretina, em um momento você vive um amor e no segundo seguinte você desama – é dessa forma que as coisas acontecem ou sempre foi assim? – voltei a fumar e pra falar a verdade, minha alimentação não está tão boa quanto antes. Tenho emagrecido com rapidez, mas dormido mais do que de costume (até porque o novo horário de trabalho me propicia isso). Não é disso que queria lançar, é sobre o amor, mais uma vez. Que bosta, né? Faz dois dias que tenho me perguntado o porquê te desejo, o porquê que não dá certo, o porquê das coisas, o porquê de tudo e isso, cara, é uma verdadeira merda.

Estava caminhando tão bem do seu lado, bastava você aceitar meus defeitos assim como você aceitou minhas qualidades – e geralmente é nessa parte onde ninguém tem paciência mesmo, de aceitar os deslizes, a podridão. Como ouvi dizer uma vez: intimidade é uma merda.

Na verdade você estava de saco cheio há muito tempo, sabia que não era comigo onde queria estar e mesmo assim cultivou até agora. Só que nesse momento eu tenho muita coisa pra dizer, mas só vou te dizer uma delas: está doendo bastante, parece que sua mão está apertando meu coração e eu só vejo uma saída – livrar-me de você.

Ainda hoje eu pensei: em tão pouco tempo de luta, abandonar o campo levantando a bandeira branca significa que a batalha não foi significativa, transparecendo descaso para com o objetivo da guerrilha inteira. Foi aí que eu concluí que nessa batalha ninguém competiu e ninguém encarou a verdade como deveria ser. Ainda não entendo, nunca dei as costas para o inimigo e hoje eu me vejo tão cansado dessa situação. Sinto-me como se eu não tivesse feito absolutamente nada para reverter o quadro (e assumo isso aqui, em palavras). Mas nunca, nunca vou deixar de pensar o quanto todo esse tempo foi bom para mim. O negócio é que as coisas funcionam na base de escolhas, você fez a sua, agora eu fiz a minha: obrigado até aqui, mas eu ainda te amo muito.

Tentei lembrar o porquê você está aqui ainda. Fiz uma lista das coisas que acredito ser o motivo da sua participação na minha vida, uma delas é o abraço que me envolve e aquece como só você sabe fazer. Também acho que seja a atenção que me dá, não importa em qual situação, você consegue fazer muitas coisas e ainda por cima saber como estão as minhas. Dentre todos os motivos, acredito que o maior deles seja a identificação, é engraçado como você consegue ser bonito e feio ao mesmo tempo e gostar da maioria dos meus discos e filmes. No final de tudo você sempre coloca sua opinião para expressar o motivo de gostar ou não gostar de tal coisa. O seu beijo é uma chama que estala o peito, queima o corpo e enlouquece.
Eu não sei escolher qual é o motivo da sua participação, mas eu gosto de tudo isso junto e de todas as coisas bem feitas com você,

Eu amo você.

Possuir-se, dar-se

Lá vem aquela sentimentalidade outra vez. Estamos e não estamos fly away from here. Ontem eu dei amor, hoje é a sua vez. Esse é o trato, não é? Se não for assim, baby you can’t stay with me. Não é assim que a dança começa?

If you plant, you reap.

amor

anna

you can use my skin to bury secrets in.

“Não sei se quero descansar por estar realmente cansada ou se quero descansar para desistir”.
Clarice Lispector

Paro de apostar minhas fichas com facilidade. Minha cota de atenção acaba na melhor cena do filme, eis que perco o final da história quando o roteiro muda e os personagens ganham outra personalidade. O filme sempre reprisa na Sessão da Tarde como um big-flash-back, dando-me uma nova oportunidade de reabilitação. É um longo ciclo truncado, inútil e cansativo.

Não posso me guiar pela sorte do orkut, eu adoraria fazer dessa forma. Optar pelo horóscopo do dia é a mesma coisa, mas eu sou um pisciano que odeia. Contrário ao caráter estipulado pelo João Bidu.

Nesta cena, dou-te o meu ultimato: Há diversos tópicos para não me encaixar em um equilíbrio, dentre eles eu tenho me dedicado e tomado a lição de casa todos os dias para ser alguém melhor. Eu não me mantenho no equilíbrio de alguém, porém, gostaria muito que fosse.

Desligado

Eu não tenho “rabo preso” à ninguém, quem dera ter um amor para me amarrar do jeito que deveria ser. Tenho caminhos, mas não sinto tesão por nenhum deles. O que procuro não é daqui, não é feito para mim e não lamberia meus mamilos como se fossem raio laser.

Lugar certo

Ei, você foi tão rápida. Quem vai pular em mim quando chegar do trabalho? Se eu soubesse que sua passagem fosse tão imediata, teria preparado uma despedida inesquecível. Só que você esqueceu a doçura de criança arteira na sua casinha e isso dói demais.